Doenças típicas de inverno

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Por: Dra. Mariana Kessel, médica dermatologista 

Nos últimos dias, falamos um pouco sobre como a pele sofre mais no inverno do que em outras estações do ano e passei algumas orientações que podem prevenir e até reverter o ressecamento da pele, como aumentar a hidratação corporal, a ingestão de líquidos e investir em uma alimentação rica em vitaminas e antioxidantes. 

No entanto, é necessário entendermos que estes cuidados, que devem existir durante a nossa rotina independente da época, são cruciais inclusive para prevenir alguns tipos de doenças que podem surgir também a partir do ressecamento extremo da pele. E digo “também” porque as doenças que vou explicar agora, têm outras origens e fatores genéticos envolvidos. Então, vamos entender um pouco mais sobre elas e as possibilidades de tratamento:

Dermatite atópica: O sintoma principal é a coceira, apresentando lesões na pele em qualquer região do corpo. Em adultos e adolescentes, pode ter predominância nas áreas onde a pele “dobra” como, pescoço, dobras dos braços e região posterior dos joelhos, tornando a pele destes locais áspera e escurecida. Nas crianças ela também pode aparecer, mas já com aspecto avermelhado e escamação em qualquer região. A base do tratamento é a aplicação de hidratantes várias vezes ao dia, não tomar banhos quentes e evitar o contato com produtos com alto potencial alergênico, como perfumes, produtos de limpeza, poeira e tabaco, por exemplo.

Dermatite seborreica: Regiões que têm pelos geralmente são mais afetadas, como a região da sobrancelha, orelhas e o couro cabeludo. A pele descama devido à desregulação sebácea e pode ocasionar em caspa também. A coceira na região pode ser intensa podendo estar presente em outras locais pelo corpo. O diagnóstico é principalmente clínico, onde o dermatologista vai se basear no relato do paciente e na localização das lesões e o tratamento pode envolver lavagens mais frequentes, uso de xampus que contenham ácido salicílico, selênio, zinco e antifúngicos, além da suspensão do uso de géis, pomadas, sprays e acessórios como chapéus e bonés.

Psoríase: É uma doença crônica e não contagiosa que acomete ambos os sexos, sendo mais comum em pessoas de 20 a 40 anos. Este problema também surge a partir de causas emocionais e fatores genéticos. O tratamento desta doença vai variar de acordo com a gravidade do problema em cada paciente. Em casos leves, a exposição moderada e segura ao sol, o uso de hidratantes e aplicação de medicamentos tópicos nas regiões afetadas, garantem a melhora do quadro clínico da pessoa e o desaparecimento dos sintomas.

Ictiose vulgar: A sua origem é genética, sendo transmitida de pai para filho. Pode apresentar descamação fina ou intensa em áreas ressecadas da pele, atingindo com maior frequência os membros superiores e inferiores. O tratamento envolve o uso de cremes que contenham ureia e lactato de amônia, sendo orientada a aplicação pelo menos três vezes ao dia.

De toda a forma é necessário entender que, estas doenças possuem tratamentos tanto para o desaparecimento do problema quanto para o controle da doença e melhora na qualidade de vida do paciente, além de que, quase todas, podem ser evitadas com as medidas profiláticas que falamos anteriormente.